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 | | Fernando Ferro - Presidente da Banda de Silvalde 25.Mar.2010 | | | Um jovem de 37 anos, empresário, sem antecedentes musicais, decide reunir com alguns dos seus amigos e familiares e convencê-los de que a Banda de Silvalde, a instituição mais antiga da terra, é um pólo importante de divulgação cultural e artística, extremamente útil aos Silvaldenses, e que é oportuno, face ao cansaço da anterior direcção, avançar com uma equipa para inovar e reformular os métodos de ensino, de organização e de funcionamento da instituição. Fernando Ferro, homem de ideias arrojadas, sem medo, sem vacilar, propôs-se e foi eleito presidente da direcção. Não sendo músico a paixão pela Banda transparece bem pelas suas palavras: “Temos os melhores músicos do mundo e o melhor maestro!", afirma com alegria e com a paixão de quem tem bem claro o objectivo a atingir. Depreende-se pela sua atitude que a Banda de Silvalde, "a menina dos seus olhos", a curto-prazo vai fazer furor. Eis, nesta entrevista, a imagem de um jovem presidente que se sente honrado e prestigiado pelo cargo. | | | Sr. Presidente Fernando Ferro, o que é para si uma Banda Filarmónica?
Anteriormente, a ideia geral que tinha sobre uma Banda Filarmónica era a de um grupo que tocava em procissões, fazia festas e ensinava música a miúdos. Entretanto, depois de reflectir sobre o assunto, e em resultado dessa reflexão decidi que poderia vir a assumir a gestão da Banda de Silvalde, esta definição modificou-se claramente. A Banda Filarmónica é, não só um pólo de reunião de pessoas que querem usufruir do seu tempo livre de uma forma culta e emocionante, como também um pólo de congregação de jovens preparando-os para a vida em sociedade, com regras, com disciplina, com sentido de responsabilidade. 
| Antes de chegar á direcção da Banda de Silvalde, teve alguma ligação com a música?
Não, não possuo antecedentes musicais. Cheguei sim a assistir a umas aulas da banda, porém acabei por desistir, isto por volta dos 7 anos. Mas não foi em vão esta incursão. Fui sempre associado da Banda e interesso-me pelas actividades de Silvalde, a minha terra. 
| Para o cargo de presidente de uma banda de música, um dos requisitos fundamentais é a capacidade de liderança. Que experiência tem a este nível?
É o meu dia-a-dia. Como empresário tenho de lidar com diferentes pessoas, diferentes personalidades, quer a nível do meus colaboradores quer dos nossos clientes. Trata-se fundamentalmente de gerir susceptibilidades. Negociar e gerar consensos. Tenho as minhas ideias mas estou sempre atento e receptivo às ideias e opiniões dos outros quando são úteis para o colectivo. 
| E como reage em relação à crítica?
Reajo bem. Todos somos críticos e eu aceito com facilidade desde que essa crítica seja construtiva e útil. Se for crítica gratuita simplesmente ignoro. Somos uma equipa que reflecte sobre todas as questões. Pessoalmente, o apoio deles é muito importante para mim, pois por muitas ideias arrojadas que tenha, ainda tenho muito que aprender e estou disposto a isso. 
| Está pois ciente da importância do trabalho que desenvolvem as Bandas Filarmónicas?
Sem dúvida. O enriquecimento cultural que proporcionam as Bandas Filarmónicas é por demais evidente. As pessoas chegam à Banda para aprender musica e crescerem culturalmente com ela, mas, e em muitos casos, evoluem de tal forma que passam mesmo a ser profissionais. Aliás, temos músicos que passaram pela Banda e decidiram fazer carreira profissional. Portanto uma Banda tem uma enorme utilidade. Como disse, é um pólo gerador de cultura por excelência. 
| Acredita que, se a formação musical dos jovens começar desde cedo, isto poderá ter uma grande influência na sua personalidade e maneira de ser como indivíduos?
Tenho a certeza que sim. Se forem devidamente orientados, esta formação moldará as suas personalidades. Mas é necessário que haja uma formação séria e disciplinada. As pessoas fora da Banda pressupõem que o universo dentro da Banda alicerça-se na diversão e no passeio. Pelo contrário, aqui, os músicos, seja qual for a idade, têm obrigações, regras. Desta forma, esta disciplina que existe dentro da banda irá ser transportada para a sua vivência do dia-a-dia. Basicamente, é isso mesmo: a banda, para além da formação musical, promove a formação do indivíduo. 
| E o que o motivou a ser presidente da Banda de Silvalde foi isso mesmo, ajudar a instituição a ser cada vez a mais útil e mais reconhecida?
Sem qualquer dúvida que sim. 
| Escolheu a equipa para liderar, na íntegra, ou apenas se propôs ao cargo de presidente?..
A Banda era dirigida pela mesma direcção há cerca de 12 anos e havia uma certa saturação por parte dos membros. Acredito que fizeram o seu melhor pela banda, porém estava na altura de renovar. E eis que, a Mónica Gois, neste momento vice-presidente, falou-me na situação da banda ficar sem direcção. Foi aí que decidi convencer familiares e amigos e compor uma equipa que pudesse tornar-se na nova direcção da Banda de S. Tiago de Silvalde. Acreditei e continuo a acreditar nas nossas capacidades de elevar a Banda. 
| Como empresário, com o tempo escasso, despender tempo da sua actividade para dedicar a uma banda de música é fazer um certo esforço. O motivo foi apenas ajudar?..
É o gostar da terra. Sentir que devemos valorizar, apoiar e ajudar a desenvolver a colectividade. Sou de opinião que os jovens são o futuro e se há coisas que tem de mudar alguém tem de começar e há que tomar a iniciativa e arriscar. 
| Na sua equipa partilham todos o mesmo espírito de trabalho? Estão determinados em segui-lo?
Sim, todos partilhamos a mesma filosofia: a formação é o único caminho para atingir o patamar que pretendíamos. Elevar a banda para um patamar superior a nível musical. Darmo-nos a conhecer como banda para assim sermos devidamente valorizados. Sem dúvida que continuamos com este espírito. 
| É um cargo de prestígio, ser presidente da Instituição BMSTSilvalde?
Absolutamente. Ser presidente de uma colectividade com mais 50 anos tem de ser prestigiante. E espero não me poupar a esforços para honrar os pergaminhos da instituição. 
| O que é necessário mudar na orientação da Instituição?
Para além da Escola de Música, é necessário haver uma mudança em termos organizacionais e em termos artísticos. A filosofia tem de mudar. A Banda tem de ser uma equipa, desde a direcção, o maestro e os músicos. Todos com mesmo espírito, na mesma linha de orientação. Só assim com este pensamento é que conseguimos atingir os nossos objectivos. Também estamos numa fase de avaliação de tudo o que diz respeito à banda com o intuito de identificarmos as carências, para que assim possamos corrigir e ajustar o que for necessário. Estamos todos a adaptar-nos e estamos prontos a mudar e a ajustar-nos à nova realidade das bandas. 
| Exactamente, se possível em poucas palavras, que projecto tem para a Banda?
No 1º ano (de 2 Anos de mandato) vamos pôr o projecto a funcionar estudando e analisando a fórmulas que utilizamos. No 2ª ano, queremos que a Banda se destaque já no meio filarmónico nacional. A Banda de Silvalde é para ser uma das melhores bandas nacionais. Portanto, os pontos essenciais são: modernizar a escola musica e fazer com que a banda tenha um nível artístico mais elevado. Vamos fazer tudo para isso e estamos todos imbuídos desse espírito 
| Que critérios lhe serviram para seleccionar o maestro Filipe Fonseca para o cargo de director artístico?
Os critérios fundamentais foram: um indivíduo com bom currículo e com ideias inovadoras. Alguém de qualidade artística insuspeita. Veja-se o curriculum artístico dele e avalie-se a nossa decisão.
Poderíamos ter continuado com o figurino da direcção artística da banda filarmónica tradicional, ou então optar por algo diferente e escolher alguém mais jovem e de ideias diferentes.
Assim que falei com o Maestro Filipe Fonseca percebi que era exactamente a pessoa que procurava. As nossas ideias convergiram. Ambos queríamos que a banda pudesse realizar actividades diferentes, tocar obras diferentes, em locais diferentes e com uma atitude diferente. Uma renovação! E realmente o maestro ajustou-se perfeitamente à banda. É o maestro perfeito para a nossa banda. 
| Acha portanto que fez uma boa opção?
Não tenho dúvidas. 
| Uma vez que o maestro é uma pessoa muito jovem, não houve qualquer tipo de fricção com os músicos mais idosos?
Não. Devo dizer que somos uma direcção presente nos ensaios e o feedback que tenho recebido é positivo. Estão todos satisfeitos com as mudanças. Também é de realçar que as mudanças não foram drásticas, mas sim progressivas. Simplesmente nos ajustamos às necessidades que encontramos, sempre com o total apoio do maestro. 
| Em Espinho existem 3 Bandas de Música: Espinho, Silvalde e Paramos. Como situa a Banda de Silvalde no panorama musical, filarmónico, do concelho? É a melhor artisticamente, é a que tem melhor projecto, é a que tem melhores perspectivas de futuro, o que nos diz sobre o assunto?...
Esta é uma questão difícil...Sem melindrar ninguém, como é óbvio, tenho de dizer que a minha é a melhor (risos). Acabei de chegar a este meio e vamos percorrer o nosso caminho. Não me preocupa de somos melhores ou piores, interessa-me produzir bom trabalho artístico e ao mesmo tempo ajudar a os nossos jovens, pela disciplina ou melhor, auto-disciplina, que está implícita na aprendizagem da música, a crescer e a tornarem-se adultos responsáveis e úteis à sociedade.
Queremos que os músicos tenham prazer em trabalhar connosco e em fazer arte a um nível que nos orgulhe. Vamos atrair mais jovens para a escola. Não nos dedicamos exclusivamente a ensinar alunos para a banda. Ensinamos Musica. Tanto para instrumentos de sopro como outros. É óbvio que nos interessa sobremaneira os sopros mas eu creio que poderemos atrair, através da entrada de jovens por outros instrumentos, mais músicos para a banda. Já temos inclusivamente experiências desta natureza. Temos miúdos que vieram para guitarra e já estão interessados em sopros. Confio plenamente no director artístico que partilha da minha filosofia de trabalho, assim como a minha restante equipa, e estou plenamente ciente de que vamos atingir os nossos objectivos em toda a plenitude. 
| A Câmara Municipal de Espinho reconhece o valor cultural e artístico da banda de Silvalde?
Sim reconhece. Uma instituição com 50 anos já deu provas mais que suficientes de que tem valor cultural, social, colectivo etc. E a Câmara de Espinho já o demonstrou convidando-nos a participar no festival importante “Tucátulá”. 
| São francamente apoiados pelo Município ou nem por isso?
Bem, até á data, não sendo nenhuma fortuna é um valor razoável. È minha opinião que a instituição não deve ser subsidio-dependente. Nós precisamos de atrair recursos de diversas entidades, até como resultado do nosso trabalho nas actividades onde participamos, mas não é minha intenção pôr a nossa instituição a funcionar apenas dependentes de subsídios das entidades públicas. 
| A Banda é auto-suficiente em termos do quadro de efectivos? Tem músicos suficientes dentro de casa ou necessita de recorrer ao exterior?
De momento ainda temos de fazer alguns ajustes. Temos apenas um elemento profissional, contratado. É nosso objectivo ter dentro de portas os recursos humanos suficientes para a instituição funcionar. Somos uma Banda de amadores, em que todos temos profissões diversas e a música é o elo comum a todos. Fazemo-lo pelo amor á terra, pela arte, pela juventude e por todos aqueles que, independentemente da idade, partilhem dos nossos objectivos. Não tem necessariamente de ser só de Silvalde. Desde que queira estar connosco e seja útil ao nosso projecto pode aproximar-se. 
| O orçamento da Banda supera os custos ou fica deficitário no fim da época?
Sim, tem superado os custos. E é isso que vamos continuar a fazer. Apenas com uma forma de gestão diferente, uma gestão híbrida associando a gestão empresarial (rigor, exigência, trabalho, supressão de gastos supérfluos, etc.) mas tendo em conta as características da gestão associativista. Com disciplina mas sem excessos de rigor, sem qualquer tipo de pressão sobre as capacidades de cada um dos elementos. Pedimos colaboração e compreensão em vez de exigir com veemência. 
| Recebem muitos apoios de entidades públicas e privadas?
Do INATEL este ano recebemos 250Eur; recebemos do Casino e da CM de Espinho, da junta de freguesia, por acaso do ano passado ainda não liquidou o subsídio (risos), e das empresas da terra que colaboram com um donativo. Das empresas é costume e creio que vamos continuar a receber graças à excelente relação que temos com elas. Este ano, nas boas festas que fizemos aos Silvaldenses, por exemplo, recebemos até um aumento destas ofertas. Esperemos que isso possa continuar. Sabemos que das entidades públicas as coisas estão difíceis e como disse não queremos depender apoios. Pretendemos conseguir ser auto-suficientes. 
| Tem sócios?
Temos 800 associados a pagar quotas – embora sejam variadas de acordo com a vontade de cada um. 
| O que usufruem os sócios da banda de Silvalde?
A possibilidade de aprender música, com especialistas, com apenas uma propina de 10Eur por mês. Não o fazemos grátis porque apostamos na qualidade e isso naturalmente custa. O valor é simbólico porque os custos que temos com a formação são muito superiores, porém não é nosso objectivo ter lucro com a formação. 
| Até ao momento qual é o seu grau de satisfação relativamente ao cargo que ocupa na Instituição?
Estou absolutamente satisfeito. Não sou homem de desistir e gosto de enfrentar novos desafios. 
| Vai participar no Festival Filarmonia ao Mais Alto Nível a 18 de Abril. Vai ser a primeira Banda a tocar e vai confrontar-se com um auditório de 1000 pessoas a assistir ao seu concerto e um painel de comentadores que opinará sobre o seu desempenho. É a primeira vez que a Banda terá uma experiência desta natureza. Acha que a Banda está motivada e que fará uma grande apresentação?
A banda está motivadíssima para esse projecto. Não vacilamos. Desde o 1º momento em que fomos convidados aceitamos com muito orgulho e estamos a trabalhar para fazer uma grande apresentação. Sabemos que estamos sujeitos á crítica e isso é exactamente o que precisamos. Só assim podemos crescer. Sabemos que quem nos vai avaliar o faz com conhecimento de causa e neste contexto esta oportunidade é imperdível. Dentro das nossas limitações estou ciente de que vamos fazer um excelente trabalho. Os meus músicos são para mim os melhores do mundo e o meu maestro é também o melhor maestro do mundo. Desde que façamos o melhor de nós que mais se poderá exigir! Esperem para ver.. 
| Crê que vai levar a bom termo o seu projecto?
Creio firmemente que vamos levar a bom porto o projecto que assumimos. 
| Vão fazer um concerto no Multimeios de Espinho no próximo Sábado dia 27 de Março. Fale-nos um pouco sobre esse evento. Qual o contexto da participação no TUCÁTULÁ? Que repertório irá apresentar a banda? Que novidades nos pode adiantar?
Quando decidimos participar no Festival Filarmonia no Europarque, sabíamos que era uma enorme responsabilidade que íamos assumir. Sabíamos e sabemos que é uma exposição grande para uma banda sem experiência dos grandes palcos. Falei com o maestro sobre o assunto e perguntei-lhe se não seria uma boa ideia preparar um concerto para rodar o programa e ir preparando a banda para o dia “d” no Europarque. O maestro Filipe disse-me que era uma excelente ideia. Por casualidade aconteceu, numa reunião que tive com a CM Espinho, o convite. Atendendo ao entusiasmo o maestro Filipe que é simultaneamente o director artístico da Orquestra Portuguesa de Saxofones, propôs que se fizesse um concerto comum: Banda de Silvalde e Orquestra de Saxofones. O Maestro que tem largos conhecimentos na Holanda – país com vasta tradição musical – sugeriu a um compositor Holandês, Chiel Meijering, que escrevesse uma obra para a banda de Silvalde e para a Orquestra Portuguesa de Saxofones, para ser tocada em conjunto. Pois no próximo Sábado dia 27, pela primeira vez na vida, a banda de Silvalde vai tocar uma obra, escrita propositadamente para ela, de um compositor internacional. Isso motiva-nos, enche-nos de orgulho e é simbólico quanto á importância do nosso projecto de fazer crescer artisticamente a nossa Banda e de a tornar, neste âmbito, respeitada no meio.
Estou muito grato ao maestro pelo seu empenho. Mas há mais surpresas para o concerto de sábado, só que, desculpem-me, não vamos dizer nada... Venham ao concerto e verão as novidades... 
| Conhece o site Bandasfilarmonicas.com? Que opinião tem sobre a sua importância para o meio Filarmónico?
É um site muito importante. A primeira coisa que fiz quando decidi entrar para este meio, foi consultar o site bandasfilarmonicas.com para me inteirar deste universo. O Site é uma ferramenta excelente para toda a gente que está ligada á música. Informa sobre quase tudo o que é útil ao universo das bandas. Muitos parabéns a vocês todos. 
| Sr. Presidente Fernando Ferro, muito obrigado pela sua disponibilidade para esta entrevista, pelos seus esclarecimentos e pelas suas opiniões. Desejamos-lhe os maiores sucessos para os seus projectos e para a sua Banda.
Eu é que agradeço o vosso interesse e a oportunidade que me deram para divulgar o nosso projecto. 
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